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Recair no pecado é perigoso


Administrador A.O. | 13 março, 2019

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Na Quarta-feira de Cinzas começamos o caminho da nossa libertação. Devemos passar pelo deserto, pelas noites, pelas tentações antes de chegarmos à terra prometida por Deus, que não consiste só na terra no sentido material, mas é muito mais, é a posse do Reino de Deus, que foge às leis humanas.

A fé, a Igreja se condensam nas verdades que nós encontramos anunciadas no Credo, nos Dogmas, nos livros, nas palavras do Magistério do Papa e dos bispos, que têm sempre como base o Evangelho. Não pode existir nenhuma verdade sem a base, a Palavra do Senhor. Isso seria um absurdo.

A nossa fé é uma fé permanente que se baseia na história, não nas fantasias e nas ideias pessoais. O centro de nossa fé, que resume todo o Antigo Testamento, e o Novo também, é encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa é a verdade que repetimos não com a boca, mas com o coração e com a nossa vida pessoal. Durante este caminho da Quaresma, são muitos os meios que nos são oferecidos para reavivar a nossa fé. Gostaria de colocar em evidência três.

1. A liturgia – toda a liturgia quaresmal, nos remete, em todas as músicas, a necessidade de converter-nos, isto é, de voltarmos para Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa vida. Nós nos afastamos de Deus pelo pecado e Deus nos espera para nos perdoar e para caminhar conosco, uma liturgia viva que é memória do amor de Deus para nós.

2. A Via-sacra – é uma prática que nasceu no séc. XII e é muito importante, não só durante a Quaresma, mas sempre, veja algumas notícias históricas. É o caminho que Jesus percorreu carregando a cruz, dando a sua vida para nos resgatar dos nossos pecados. A Paixão de Jesus não é uma obra para fazer teatros nem encenações, mas é algo para ser compreendido e vivido numa atitude de dor e participação dos sofrimentos de Jesus.

3. No Brasil – nesse período, temos a Campanha da Fraternidade, o tema deste ano é Fraternidade e Políticas Públicas. Todos os anos os bispos nos convidam a ser igreja neste caminho do povo. Eu não entendo muito de política, estou longe, no Egito, mas, sem dúvida, a nossa política se reduz às palavras de Jesus: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). A política é a arte de viver bem.

O Papa Francisco, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano recordou as palavras do Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002.

1. Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel;

2. Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.

3. Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.

4. Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.

5. Bem-aventurado o político que realiza a unidade.

6. Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.

7. Bem-aventurado o político que sabe escutar.

8. Bem-aventurado o político que não tem medo.

Os primeiros frutos são sempre do Senhor

Muitas vezes volto a ler este texto do Deuteronômio para compreender como é belo dar os primeiros frutos ao Senhor, mas quais frutos Ele espera de nós? Pensando em todos os frutos, recordo que minha mãe Domenica dizia: “os primeiros frutos se oferecem aos pobres”,
e guardava um pouco de cerejas e de figos para uma pobre família que habitava perto de nossa casa.

Quando eu era noviço dos Carmelitas, encontrei um costume muito bonito: os noviços não comiam os primeiros frutos, ofereciam este
sacrifício, e é claro que nós não ficávamos muito contentes porque víamos que os frades velhos os comiam, achávamos uma injustiça, mas hoje compreendo que era um gesto bonito. Na Eucaristia, oferecemos não mais os frutos da terra, somente o pão e vinho, mas o
mesmo Jesus, que é o grande fruto que o Pai nos dá.

E é bonito o que diz a leitura: “Depois de colocados os frutos diante do Senhor teu Deus, tu te inclinarás em adoração diante dele”. É certo o que devemos fazer, adorar o Senhor. Comecemos esta Quaresma oferendo a Deus os frutos mais belos do nosso coração, e se nos faltam, consertemo-nos e começaremos a produzir frutos de amor e perdão.

Recair no pecado é perigoso

No salmo responsorial suplicamos ao Senhor: “Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!” Essa deve ser a nossa oração constante, nunca perder de vista, nas noites da alma e do corpo, que o Senhor não nos abandona, Ele está sempre ao nosso lado e nos dá a força para não desanimarmos. Paulo convida a comunidade de Roma à coerência entre fé e vida; o que nós confessamos com a nossa boca, que o Senhor é o nosso Salvador e nosso Redentor, devemos manifestá-lo através das nossas obras.

O pecado da incoerência e o da indiferença são, sem dúvida, os piores pecados que nos fazem recair sempre nas mesmas faltas. Ao mesmo tempo, Paulo nos recorda que não devemos fazer como os nossos irmãos israelitas que se recusaram a aceitar Jesus e endureceram o próprio coração – todo aquele que invocar o Senhor será salvo se houver coerência de vida.

Hoje em dia, pode ser que eu esteja errado, mas vejo em mim um pecado que me parece grave: anuncio Jesus com a palavra, mas não o anuncio com a vida, e isto não faz crível a minha pregação e me tornou objeto de críticas justas por parte dos que não creem ou são fracos na fé.

Não devemos brincar com as tentações

Sem dúvida, o Senhor Jesus, ao ser levado ao deserto para ser tentado, nos ensina que não devemos ter medo das tentações que fazem parte da nossa vida, mas também não devemos brincar de super-herói diante das tentações, porque isto é perigoso e podemos errar ainda mais. Sabemos que se nós somos inteligentes, astutos, o diabo é muito mais astuto do que nós e conhece todas as artimanhas para nos fazer cair. Ele não apresenta o mal como mal, mas sim como bem, como solução e não como problemas.

A pedagogia do diabo não muda, é sempre a mesma, nos tenta sobre o nosso lado débil, o poder, a fama, o dinheiro, o sexo, a vida cômoda, tranquila. Devemos reagir como Jesus e com a força da Palavra de Deus, rejeitar todas as tentações. Santa Teresa d´Ávila era esperta em reconhecer o diabo e o afugentava com um método simples: a oração.

O Papa Francisco falou durante os votos de Feliz Natal aos cardeais na Cúria Romana que o diabo se veste em anjos de luz e nos tenta fazendo-se passar como defensor da verdade. Precisamos desmascarar o diabo com a Palavra de Deus e com a oração.

Frei Patrício Sciadini, OCD

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