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Os pensamentos do Papa Francisco, nas homilias de Santa Marta


Administrador A.O. | 22 janeiro, 2020

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Foi publicado um livro com uma seleção de trechos extraídos das homilias do Papa Francisco na Missa Matutina na Casa Santa Marta. O autor Gianpiero Gamaleri, selecionou e comentou trechos das homilias de junho de 2017 a fevereiro de 2019, que nos ajudam a conhecer melhor “o pensamento mais profundo e mais íntimo” do Pontífice “que veio do fim do mundo”. O livro “Pensamentos escondidos do Papa Francisco”, reúne as reflexões do autor, professor de Sociologia de processos culturais e comunicativos da Universidade Uninettuno.

Homilias: conexão com o dia de trabalho do Papa

Segundo o autor, as homilias podem ser consideradas “a conexão com seu dia de trabalho”, o “reflexo do seu diálogo com o Senhor”. Mas são “escondidas” pelo autor pois não são difundidas integralmente, mas apenas em parte, pelo Vatican News e a Rádio Vaticano, e depois retomadas pelo L’Osservatore Romano.

Mas nem por isso menos importantes, ao contrário, a dimensão “íntima” da capela da Casa Santa Marta, nos diz Gamaleri, permite ao Papa uma “espontaneidade de comunicação” e o uso de expressões que tornam seu pensamento mais “incisivo”. Vatican News conversou com o autor:

Gianpiero Gamaleri: Neste meu novo livro reuni cerca de cinquenta homilias do Papa Francisco pronunciadas na Casa Santa Marta, de 2017 a 2019, com alguns temas fundamentais que foram destacados mais de uma vez. Naturalmente o primeiro é ligado a uma famosa frase do Papa Francisco: “Como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres”, e também ligada a este tema, a atenção aos menores, aos que sofrem e a importância da Fé como resgate a esta condição, para que seja dada uma atenção verdadeiramente profunda a todos os irmãos.

Em suas publicações o senhor nunca escreveu “comentários da homilia do Papa”, mas sempre “sugestões” para desenvolver os temas falados por Francisco…

Gamaleri: De fato, o Papa não precisa de muito comentário porque é um grande “jornalista”. Mesmo os trechos das suas homilias sempre dizem algo que marca profundamente o público. Portanto, a intenção não é a de comentar, mas a de desenvolver, de personalizar, e de certo modo amplificar estas sugestões, de modo que cheguem mais longe, aos que talvez sejam mais distraídos, com relação à palavra que Francisco exprime sempre com grande eficácia.

Na introdução o senhor escreve que as homilias de Santa Marta de Francisco são a “conexão” com o seu dia de trabalho…

Gamaleri: Ele pronuncia estas homilias às 7 da manhã, porque o Papa acorda cedo, e no final da Missa, pelas 8 horas inicia o seu dia de trabalho, que não pode ficar destacado da sua reflexão feita durante a Missa. A reflexão apoia-se nas Sagradas Escrituras, que podem ser aplicadas às mais variadas circunstâncias da vida. Portanto, efetivamente foram pensadas como conexão da sua reflexão e da sua ação pastoral do seu dia de trabalho.

Nestas 53 homilias o Papa cria neologismos muito expressivos como “ocupacionismo”, “a pregação bofetada”, ou expressões de efeito como “a alma engomada”, “a humildade pret a porter”. São frutos de uma definida estratégia de comunicação de Francisco ou nascem espontaneamente ao pastor que quer se fazer entender aos fiéis?

Gamaleri: Ele possui uma espontaneidade de comunicação que todos conhecemos e portanto está certo em usar estas expressões que lhe vêm do coração e da sua inteligência, justamente para que o seu pensamento seja mais incisivo.

O senhor citou “pregação bofetada”: é inútil uma pregação diluída, quer nos dizer Francisco, que não tenha nenhum efeito para os cristãos que ele define como guardiões dos museus e não pessoas comprometidas na vida. Entre as outras expressões, por exemplo, temos a que o senhor citou, o “ocupacionismo”, o mal do nosso tempo, “a osteoporose da alma” que é uma expressão muito incisiva, e também uma até mesmo aparentemente contraditória: corremos o risco de nos tornarmos “católicos ateus”.

São todas provocações que aprofundam a nossa reflexão e também a nossa oração e nos ajudam a fazer com que não sejamos guardiões de museus ou como uma outra expressão muito brilhante, “viver em uma Igreja que seja uma bicicleta e não uma catedral”. Isso quer dizer não uma pedra colocada, firme no chão, mesmo se as catedrais sejam belíssimas, mas uma bicicleta que deve caminhar para encontrar o seu equilíbrio, isto é, abrir caminho na sociedade contemporânea, e de todos os tempos.

Vatican News

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