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Esqueci… como se é gente!


Administrador A.O. | 18 dezembro, 2015

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É necessário, como Teresinha do Menino Jesus, buscar o próprio nome entre as estrelas para ver a alegria da criança que está em nós e que não deve crescer porque se crescer vai perder a alegria das coisas simples e das fantasias inocentes.

Há momentos na vida em que você cai do cavalo e se maravilha não dos outros mas sim de você mesmo, do seu comportamento, da sua maneira de pensar, de agir e se pergunta: sou eu que está pensando assim, agindo desta forma, ou é outro que eu desconheço?

A humanidade de hoje vive um complô nunca visto. Há debaixo de todo o agir um fio condutor que não é fácil compreender. É preciso robotizar o homem para que ele se recorde que é só cérebro e que não é coração. E, afinal, a que serve o coração se pode ser transplantado e até ser de plástico? É verdade que os nossos sentimentos não dependem do coração biológico, nos ensinam os médicos, mas sim do cérebro. Então vamos fazer uma lavagem cerebral na humanidade e assim todos seremos escravos de dois ou três espertalhões que vão nos movimentar como bonecos de teatro.

É necessário reagir para que não sejamos todos transformados em máquinas e em moedas de compra e venda. Tenho saudades dos tempos de criança quando, menino medroso e tímido, corria atrás das ovelhas com os pés descalços, feridos pelas pedras e pelos espinhos; tenho nostalgia de quando sentia fome de pão e de amor, sede de água e de carinho e corria aos braços de minha mãe Domênica que sabia consolar as feridas que os olhos não podem ver.

Nem nos é mais permitido ver as estrelas brilharem no céu porque a poluição nos impede; o céu anda triste e obscurecido. É necessário, como Teresinha do Menino Jesus, buscar o próprio nome entre as estrelas para ver a alegria da criança que está em nós e que não deve crescer porque se crescer vai perder a alegria das coisas simples e das fantasias inocentes.

Não sabemos mais parar e contemplar o nascer e o crescer de uma flor, hoje tudo está pronto, hoje não se cuida mais das flores com carinho e amor, se prefere comprá-las bem abertas, prontas nas floriculturas, dá menos trabalho, mas dá menos alegria. Aliás até os pais não gostam mais de filhos pequeninos, gostariam que já nascessem grandes, adultos, com diploma, trabalhando e já meio cientistas.

Por isso as crianças perderam a infância que nunca vai voltar. Até os brinquedos devem ser difíceis, são videogames, exige matemática, pensamento e não mais brincadeiras que são construídas ao longo dos tempos livres pelo pai e boneca costurada nas noites livres pela mãe. Quem tem noites livres? Tudo está ocupado, as horas se fazem pobres e pequenas, são tantas coisas para serem feitas, “é academia, dieta, cabeleireiro, ginástica, é TV, natação, é tudo menos viver a vida.

Estou me esquecendo de ser gente, tenho medo de mim, preciso romper as mil teias de aranhas que me prendem e me oprimem. Não se pode vender nem alegria e nem amor, nem abraços e bem beijos, nem amizade e nem fé, tudo o que é belo deve ser gratuito, não pode ser comprado.

Ninguém poderia comprar e vender a luz do sol, a beleza da lua, a carícia do vento, o brilho do céu ou as ondas do mar. Ninguém poderá vender o canto do sabiá, pode vender o sabiá mas não o seu canto. Só o encontro com Deus poderá resolver ao ser humano a alegria de viver na gratuidade. Não se pode comprar e nem vender a alegria de dizer para Deus com Jesus Cristo pelo Espírito Santo: “Pai nosso que estais no céu!”

Senhor, não me deixe esquecer que preciso ser gente. E não deixe que os meus amigos se esqueçam que eles também são gente. Só isto é que é gratificante e nos faz felizes.

Frei Patrício Sciadini, ocd

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