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A Igreja Católica em Maurício


Administrador A.O. | 9 setembro, 2019

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Trazemos alguns dados da Igreja Católica em Maurício, onde o Papa Francisco estará por apenas um dia, na segunda-feira, 9 de setembro.

O país, também chamado de Maurícia, mas oficialmente República de Maurício ou República de Maurícia, tem uma população de 1.311.000 habitantes distribuídos em uma superfície de 2.040 km². O país inclui as Ilhas Maurícia e Rodrigues (a 560 km da Ilha Maurícia), e as Ilhas exteriores de Agalega e Cargados Carajos, esta última conhecida oficialmente como Saint-Brandon.

As Ilhas Maurícia e Rodrigues fazem parte das Ilhas Mascarenhas, junto com a vizinha Reunião, um departamento ultramarino francês. O país é membro da Commonwealth, da Francofonia e da União Africana. O francês, o inglês e o criolo são as principais línguas faladas. A capital e maior cidade é Port Louis.

A Diocese de Port Louis

A Diocese de Port Louis, criada em 7 de dezembro de 1847, tem uma superfície de 1.882 km², 1.268.315 habitantes, 329.760 católicos, 39 paróquias, 44 sacerdotes diocesanos, 48 sacerdotes religiosos, 3 seminaristas dos cursos de Filosofia e Teologia, 67 membros de institutos religiosos masculinos, 174 membros de institutos religiosos femininos, 67 instituições de ensino; 80 instituições de beneficência, 4.128 batizados em 2018.

O bispo de Port Louis é o cardeal Maurice Piat, nascido em Moka, Diocese de Port Louis, em 19 de julho de 1941. Foi ordenado sacerdote em 2 de agosto de 1970; eleito coadjutor de Port Louis em 21 de janeiro de 1991 e consagrado bispo em 19 de maio de 1991. Criado cardeal pelo Papa Francisco no Consistório de 19 de novembro de 2016, é titular da Igreja de Santa Teresa al Corso d’Italia.

A Igreja no país

Os católicos em Maurício são 368 mil, distribuídos em 44 paróquias e 2 Circunscrições Eclesiásticas.  O país tem 2 bispos. Os sacerdotes diocesanos são 47, os sacerdotes religiosos 48 e os seminaristas maiores 7. Os religiosos não sacerdotes 17 e as religiosas professas 186. Há 10 membros de Institutos seculares. Os catequistas são 1.335.

No país há 53 maternais e escolas primárias de propriedade da Igreja ou dirigidas por religiosos, atendendo 18.654 alunos. Já as escolas médias inferiores e secundárias são 21 e atendem 13.989 estudantes.

A Igreja não tem nenhuma universidade nestas ilhas, mas tem 1 hospital, 7 casas para idosos e pessoas com algum tipo de invalidez, 13 orfanatos, 8 consultórios familiares, 4 centros especiais de educação ou reeducação social e 48 outras instituições.
Os primórdios da Igreja Católica em Maurício

Séc XVII-XVIII

As origens da Igreja em Maurício e nas outras ilhas do Oceano Índico remontam ao século XVII. De fato, a primeira Missa no território foi celebrada pelos jesuítas em 1616.

A evangelização propriamente dita teve início nos primórdios do século XVIII, quando com o colonizadores franceses chegaram os padres Lazaristas (Congregação da Missão, fundada em 1625 por São Vicente de Paulo), que realizaram esta missão sozinhos por cerca de um século.

Séc XVIII-XX

Em 1712,  na “La Réunion”, é ereta uma Prefeitura Apostólica com jurisdição também sobre Maurício. Em 1772, sua sede foi transferida de Saint-Denis de “La Réunion” para Port-Louis, então Vice-Prefeitura Apostólica. Em 1819, esta última  torna-se um Vicariato Apostólico.

Em 1847 é ereta a Diocese de Port-Louis, confiada aos beneditinos ingleses, sucedidos pelos espiritanos em 1916 (Congregação do Espírito Santo, oficialmente denominada Congregatio Sancti Spiritus sub tutela Immaculati Cordis Beatissimae Virginis Mariae, mas mais conhecida por espiritanos. É um instituto de vida religiosa fundado em 27 de maio de 1703 na França, por Claude-François Poullart des Places). Em 31 de outubro de 2002, o Vicariato Apostólico de Rodrigues é anexado a Port-Louis.

Entre os protagonistas da evangelização em Maurício está o Beato Jacques Désiré Laval, sacerdote missionário espiritano que viveu no século XIX e foi beatificado por São João Paulo II, em 29 de abril de 1979. Ele dedicou a maior parte de sua vida ao apostolado entre os pobres, consagrando-se sobretudo à evangelização dos escravos africanos em Maurício, convertidos quase em massa. Deles descende grande parte da comunidade católica mauriciana.

São João Paulo II visitou Maurício de 14 a 16 de outubro de 1989, na sua 44ª Viagem Apostólica, com etapas em Plaisance Port-Louis, Le Reduit, Mont-Thabor, La Ferme (Rodrigues), Rose Hill, Sainte-Croix, Curepipe.
A situação atual

Segunda comunidade religiosa de Maurício

Primeira religião a se propagar no arquipélago, o catolicismo é a principal Confissão cristã de Maurício e hoje representa pouco mais de 28% da população mauriciana, metade da qual é de fé hinduísta, devido à forte imigração de mão-de-obra indiana no século XIX, durante a dominação Britânica. Menos de um quinto da população é de fé islâmica.

A comunidade católica é composta principalmente por crioulos descendentes de ex-escravos africanos convertidos no século XIX pelo Beato Jacques Désiré Laval e uma pequena parte por descendentes dos colonos franceses e por fiéis de etnia chinesa.

A situação da liberdade religiosa

A Igreja em Maurício tem plena liberdade para desenvolver sua missão pastoral, educativa, caritativa e de evangelização. A Constituição de 1968 (revisada e alterada em 2016), reconhece de fato a liberdade religiosa como um direito fundamental, proibindo consequentemente a discriminação por motivo de pertença religiosa. As pessoas podem se converter a outras religiões e os crentes também podem distribuir material religioso para aqueles que não pertencem ao seu grupo religioso. Novos grupos podem ser fundados e registrados. O governo tutela seus direitos e a regulamentação sobre o assunto não é intrusiva.

A educação religiosa é ministrada nas escolas estatais e privadas. Além disso, o governo regularmente fornece subsídios aos grupos religiosos com base no número de seguidores indicado no censo nacional, segundo dados que constam no relatório da Ajuda à Igreja que Sofre sobre liberdade religiosa de 2018.

Relações inter-religiosas

No país, no entanto, não faltam tensões comunitárias, envolvendo mais a comunidade muçulmana e a hinduísta, que é predominante. Portanto, não dizem respeito à comunidade católica.

Para promover a harmonia, o diálogo e a coexistência pacífica entre as várias comunidades em 2001, foi instituído um Conselho das religiões, do qual fazem parte as principais tradições religiosas do país, incluindo a Igreja Católica, mas no qual estão envolvidas muitas denominações de menor expressão.

O Conselho promove, entre outros, a educação inter-religiosa nas escolas e colabora com o Ministério da Educação na elaboração de um programa escolar para a educação inter-cultural.

Como nas outras ilhas do Oceano Índico, a Igreja Católica em Maurício está historicamente muito presente por meio de diferentes Ordens religiosas, especialmente nos âmbitos educacional, da saúde e sócio assistencial.

Atenção à família e aos jovens

Entre os principais problemas no centro das preocupações da Igreja em Maurício, está a família, também ali ameaçada pela propagação da crise de valores e políticas contra a vida – como a descriminalização do aborto, por exemplo, que foi introduzida em Maurício em 2012, não obstante a oposição das igrejas – pela pobreza, pelas drogas e pela AIDS.

O crescente distanciamento dos jovens da prática religiosa e da fé, também está ligado à desintegração da família. Daí a urgência sentida pelos bispos de investir mais na educação e na formação. Por um lado, por uma renovada catequese de adultos, casais, famílias e pais, e por outro, por uma maior coordenação entre os sacerdotes, catequistas, professores e pais, para ajudar os jovens a crescer na fé.

Vocações em declínio

Outro tema que já há algum tempo preocupa a Igreja local é o constante declínio no número de vocações, com a consequente escassez e envelhecimento dos sacerdotes. Jovens e vocações, a este propósito, estiveram na pauta da Assembleia Plenária dos Bispos do Oceano Índico, realizada de 31 de julho a 9 de agosto de 2018 em Maiote, também em vista do Sínodo dos Bispos realizado no mês de outubro sucessivo, no Vaticano.

A participação dos leigos

A falta de sacerdotes é compensada pelo envolvimento de fiéis leigos na vida da Igreja local. A Diocese de Saint-Louis é particularmente ativa nessa frente, graças às iniciativas do cardeal Jean Margéot, bispo da diocese de 1969 a 1993, elevado ao cardinalato por São João Paulo II em 1988.

Entre as obras pastorais por ele criadas, está o Centro Tabor, local de formação para jovens e catequistas. De considerável importância também é o trabalho realizado pela Associação Católica Indo-Maurício e pela Missão Católica Chinesa e que, promovidas sempre pelo cardeal Margéot, cuidam hoje da assistência espiritual das comunidades indianas e chinesas presentes no território diocesano.

Este trabalho foi levado em frente por seu sucessor, o espiritano Maurice Piat, criado cardeal pelo Papa Francisco em 19 de novembro de 2016, que desde os primeiros anos à frente da Diocese envolveu os fiéis nas diversas atividades pastorais realizadas, em particular após o Sínodo diocesano realizado de 1997 a 2000. Entre as últimas iniciativas, a inauguração, em 24 de julho de 2017, de um centro de formação para leigos dedicado ao cardeal Jean Margéot.

Vatican News

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