NOVEMBRO/2008

O mais belo Filho do Homem

 

Este é o último Retiro pessoal deste ano que apresentamos, para nossa Comunidade e estamos rezando este ano com A Paixão, este mistério escandaloso, este jeito escandaloso de Deus amar.

Neste Retiro quero meditar com vocês sobre a grande Paixão antecipada, o mistério da Eucaristia de Deus Amor em seu Filho Jesus por nós.

Bendito Sacramento, queremos pedir ao Senhor que a nossa alma,  que o nosso interior possa aprender a viver cada momento, cada experiência, daquilo que Ele tem feito e realizado em nós. A alegria de poder ver o Senhor. Como Ele se manifesta e como é belo poder ver Jesus no Santíssimo Sacramento, a sua beleza escondida, única, real, pessoal! E é esta experiência que queremos viver neste retiro. Experiência que vivemos na Santa Missa e a Igreja rompe o tempo e se me permitem dizer: quase que o [tempo] “desrespeitando”.Quero começar com uma passagem que os Santos Padres sempre meditavam em suas cartas: “Sois belo, o mais belo dos filhos dos homens” (Salmo 44/45,3). Esta passagem é muito anunciada no tempo da Paixão de Jesus, pois nós católicos temos uma admiração pelo “Mistério Eucarístico” dentro de nós: adorar a Deus no véu do Sacramento.

Nós Consagrados devemos ter um amor singular-único pelo “Mistério Eucarístico” dentro de nós: adorar a Deus no véu do Sacramento! Para nós tornarmos com Ele, por Ele e Nele sacramento vivo, sinal sensível de sua presença amorosa.

Se nós católicos não temos uma admiração e sentimos alegria num culto supremo de adoração, nenhum mistério vai parar dentro de nós. Esta admiração por Ele, que é mais belo entre os filhos dos homens, é confirmada por São Paulo: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens” (Filipenses 2,6-7), assumindo a natureza humana menos o pecado.

Nós queremos hoje nos encontrar com o Senhor, a nossa alma está aqui, queremos neste retiro pessoal levantar aqui hoje um culto de adoração e dizer: “Jesus, és Filho mais belo entre os homens!”.

Eu repito: se você, católico, e mais ainda consagrado perdeu o encanto, a alegria por Jesus no Sacramento, de celebrar uma Eucaristia sem pressa, com amor, com todo teu ser ai, pode ter certeza de que vai perdendo, perdendo, perdendo cada vez mais esse amor.

Muitos não se alegram mais com a presença de Jesus no Sacramento, não se importam em buscá-Lo, não desejam mais vê-Lo, estar na presença dEle e adorá-Lo.

Esta passagem do Salmo é uma passagem Eucarística e nos dá o encanto do coração do Senhor, a alegria de estar na presença dEle; e nos dói o coração quando os católicos perdem a graça, perdem o encanto e a felicidade por ver e estar com Ele. Quanto mais consagrados que conversam o tempo todo na santa Missa, ou assistem do lado de fora sim assistem, pois não participam...

Imagine se eu – como sacerdote – subisse ao altar para consagrar o pão e o vinho e não tivesse a alegria de estar com Nosso Senhor Jesus Cristo Senhor?

Ali está Aquele que pode encher o meu coração.

Mas parece que a dureza do coração vai se fazendo presente nos meus irmãos; os tabernáculos vazios, as Santas Missas frias, Jesus esquecido, abandonado, tanto que chegará um tempo em que tudo o que é belo para o Senhor será proibido; tudo que alegra o coração do Senhor será proibido! Tudo isso é tão apartado, negligenciado, por tão sublime presença e chegará um tempo em que um sacerdote bem paramentado vai ser zombado ao celebrar a Santa Missa...

E, hoje, infelizmente isso já acontece, de forma que parece ter valor aquele sacerdote que celebra de qualquer maneira. É por isso que eu disse que a Carta aos Filipenses é a alma de Jesus no altar, Ele é o alimento vivo, palpitante em sua vida! Não podemos deixar que o coração fique gélido na presença dEle!

Por isso que um católico – que não tem mais amor e  admiração pelo mistério [da consagração do Corpo e Sangue de Cristo e de toda a Igreja] –, como vai entender a dor (e creio que você está entendendo o que digo ao seu coração), como vai entender o sofrimento de Jesus se não entende como o Cordeiro [Jesus Cristo] é sacrificado no altar?

Uma secularização na vida consagrada esta cada dia pior perdeu-se o amor, perdeu-se o mistério da vida consagrada e o amor por Jesus. Está se retirando o mistério de tudo, também na vida do leigo a cada dia se está retirando o mistério, deixando-o cada vez mais gélido.

Você precisa alimentar a sua fé, precisa acreditar no mistério, tem de ir não com a razão, mas com a emoção e sentimentos.

Ora, um homem consagrado, uma mulher consagrada, que perdeu o desejo de comungar o mistério da fé, como pode entender a sua vida de consagrado?

Você precisa entender o caminho da dor, o caminho do abandono, por isso a Santa Missa é ato de sacrifício, embora alguns teólogos queiram dizer que esta é um simples ato, um rito.

Quando você participa da Celebração Eucarística, faz parte “contemporânea” com Jesus, o que significa ser do mesmo tempo, da mesma época em que vivemos hoje.

Por isso a Missa é um ato do Senhor. Se você está com vontade de chorar, chore; se está com dor, coloque-a no altar, e lembre-se de que você não é inocente como Jesus; só Ele é inocente. Muitos ateus, quando morre um amigo deles, colocam a culpa em Deus e julgam que ninguém tem direito de sofrer. Você deve entender que o Senhor é a única resposta da sua dor.

Faça dEle a razão da sua vida! Eu sei que você está entendendo isso no coração: O mais belo do Filho dos homens está ao nosso redor. É Ele que vem e entra em nós, que nos alimenta e só Ele é o Inocente entrando na sua vida para lhe dar sabedoria – diante de tantos momentos que você vive e de tantos questionamentos.

Lembrando-se de que Jesus é o Inocente, o Cordeiro, pois não abriu a boca contra aqueles que O maltrataram. Ele era o mais belo do Filho dos homens e ninguém queria olhar para Ele diz o profeta Isaías [após a flagelação e morte].

Filhos e filhas, é neste ponto que lhes falo do caráter sacramental da Santa Missa. Guardem primeiro a passagem: “Tu és Filho mais belo...” na qual podemos crer no Cordeiro, que entra em nossas vidas, alimentando-nos a alma; e que o católico, a católica, que perdeu a graça, não conseguirá chegar a algum lugar.

A Igreja espera o seu coração sedento pelo Véu do Sacramento do Filho dos homens. No sorriso dos inocentes está Jesus Cristo.

Está difícil trabalhar com as vocações, pois o mistério foi esquecido e na nova igreja de São Pio na Itália Nosso Senhor Jesus Cristo está abandonado, jogado, ultrajado, esquecido no segundo andar em uma capela fria. Tomem o profeta Isaías no capítulo 53, versículo 2, que diz: “Cresceu diante dele como um pobre rebento enraizado numa terra árida; não tinha graça nem beleza para atrair nossos olhares, e seu aspecto não podia seduzir-nos”. Até parece que o profeta fala contra o salmista, mas não é. O profeta diz que Jesus era o mais belo passando pelo sofrimento; quantos O tratam com zombaria... Quando você quer fazer o sacrifício e é ultrajado é quando tem de continuar. E bendito seja Deus pelos sacerdotes que têm continuado a tratar Jesus como Ele merece! Pois casa, carro, o “fundador santo” não são o bastante para se encontrar com Jesus. O Senhor deu para nós Sua graça e a Sua beleza no sofrimento e nós as temos, pois o Espírito Santo nos dá a graça e a beleza de Jesus.

Jesus, és Filho mais belo entre os homens. Sem Jesus no Véu do Sacramento não se pode viver e duvido se um católico verdadeiro vive sem a presença do Sacramento!

A Santa Missa é a celebração suprema. Jesus é a beleza do Pai. Há a alegria de poder ver Jesus Sacramentado, pois após a consagração não há mais pão, mas é o meu Senhor que se faz presente no altar.

Se você não tem mais encanto pelo Sacramento, você vai perder tudo, até sua própria vida. Tenha certeza de que não irá se desviar dos caminhos que Deus tem para você, nem perca a inocência, hoje um dom tão precioso e raro. Precisamos voltar a crer no amor puro, voltar a acreditar na lealdade do coração dos outros e que há homens e mulheres santos na sua vida, assim como que Jesus está em nosso coração!

Filipenses 2,6: Nela estão contidas duas passagens: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus [...] assemelhando-se aos homens.” Sem deixar de ser Deus, Cristo aniquilou-se e na celebração da Santa Missa Ele não se torna pão, mas sim, um sacrifício, no qual podemos “comer” Deus. Ele é comido por toda a Igreja, Ele é degustado e isso não é simbolismo. Muitos tentam torná-Lo um simbolismo, mas a verdade é que Jesus foi dado em sacrifício perfeito. Na Santa Missa, você se torna servo, ela não forma orgulhosos, ela forma servos.

Largue o orgulho de não dar direito a um pecador recomeçar; o orgulho de não querer ser humilhado, por isso a Missa perde o valor para alguns católicos, que se afastam de Jesus por não estarem junto d”Ele.

Eu convido você para nunca perder a graça e o encanto por Jesus no Véu do Sacramento. Lembrando que a Santa Missa é um culto de sacrifício, que nos escolhe e nos torna servos perfeitos, conduzindo-nos e preparando-nos para a vida eterna.

Quando eu vejo um fragmento de Hóstia Consagrada, que se perde, eu digo à minha alma: “Tu és o mais belo entre todos”; no menor fragmento está o mais belo de todos os homens! E se eu perder a beleza pelo menor fragmento vou perder a graça por todo o Sacramento: do sacerdócio, da minha vida.

Uma passagem que me incentiva neste momento está no Evangelho de São Mateus 11,12: “Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam”. Falar do mistério do Corpo de Jesus, nos dias de hoje, é um ato de violência. É não permitir que esses mistérios sejam tirados da nossa própria alma, do nosso coração.

Lembrando-me de São Pio, eu percebi que há dois caminhos que hoje são ardentes e preciosos: o primeiro é a nossa autêntica profissão de fé. Do seu coração não ser alterado pelas falsas doutrinas que vão contra a fé que você professa; principalmente contra o maior e mais sublime que nós temos: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. Com muita alegria clamamos: Consagrados façam de seus corações e vossas vidas um território Eucarístico.

Compreendam que comungar o Senhor é comungar o sacrifício da dor, sua vida, a verdade absoluta. Comunhão pessoal de dois corações. É extraordinário que você comungue o sacrifício perfeito durante o sacrifício da Missa. Adorar ao Senhor é dar a vida por Ele. Por isso que o adorador entra em comunhão, coração com coração, alma com alma, e a cada Missa participa do sofrimento do Senhor.

Os Santos têm um amor profundo pela Igreja, pelos mistérios. O Senhor quer verdadeiramente entrar em sua vida, quer ser alimento, ser o amor. Em nossa decisão de comungar Jesus, precisamos ser violentos e rasgar nosso coração para Deus entrar.

Que você ao viver o sacrifício na Santa Missa você tenha para com Ele um intenso mistério de comunhão, tão profundo que entre dois humanos é impossível. Por mais que você comungue com a outra pessoa, nunca iremos ter a verdadeira comunhão como temos com Cristo. Por mais que você ame, há um limite natural do homem. Quando você O comunga, Ele entra totalmente em Corpo e Sangue, indo nas raízes de sua alma. Há uma verdadeira comunhão, pois Jesus vem em pessoa. Ele de fato se entrega radicalmente ao extremo, em comunhão de corações. Mas porque ainda a grande maioria não conhece o Sacramento, não sabe que o Senhor na Missa se entrega totalmente. O segredo da santidade é entrar totalmente em Deus de poder degustá-lo. Jesus é maravilhosamente o Senhor deste território Eucarístico que é tua vida... Casa de Deus Casa do pão – Belém – isto que tu te tornas.

Na Palavra em Romanos 9,14-16: “Que diremos, pois? Haverá injustiça em Deus? De modo algum! Porque Ele disse a Moisés: Farei Misericórdia a quem eu fizer Misericórdia; terei compaixão de quem eu tiver compaixão (Ex 33,19). Dessa forma, a escolha não depende daquele que quer, nem daquele que corre, mas da Misericórdia de Deus”. Não é o teu querer, por favor, seja “violento” com o Senhor, se mostre ardente ao amor do Senhor, pois Ele se dá todo a você.

Você pode ter Ele como verdadeiro amigo. Chega de receber Jesus como “coisa”. Ele é teu Deus, teu Senhor. Ele não é objeto, É o sacramento do Sacramento.

“Adorar ao Senhor é dar a vida por Ele”. Após a Consagração não existe mais pão, é o Corpo de Cristo. Que você seja “violento” com o mistério maior da Igreja.

Não, Não existe mais vinho, não existe mais pão. Essa presença persiste até o final da Missa, adorado.

O ápice da Igreja é a graça de poder comer Deus. Ajoelhe na Consagração. Dobre realmente seus joelhos, porque é um momento penitencial. Ajoelhar-se é um ato de adoração a Deus. Ele vai tirando esse desânimo, a falta de expressão de adorar a Deus. Adore com violência, não seja morno. Vá ao altar com toda sua alma, todo seu coração, Jesus destrói todo muro que não permite que você se entregue a Ele. É pessoa com pessoa. Deus é quem faz Misericórdia. Cada Missa é o amor de Deus. Falta muito aos católicos a coragem e “violência”, determinação de amar e ter Jesus como único Senhor de tua vida, no profundo do teu coração. É difícil ver tantos católicos frios comungando o amigo Jesus. “Comungar Jesus é comungar o sacrifício da cruz”, dizia São Tomas de Aquino. Quando você O comunga, o faça para ter o Senhor lá dentro do mais profundo do teu coração. Tua vida tem que ser consumada por Ele. O primeiro desejo do Senhor é que sua vida seja consumada como se fosse o último momento mais belo de tua vida. “Tudo quero por Ti. Entregar-me e consumar-me por Jesus. Eu estou em Ti e Tu entras em meu corpo e em meu sangue”. É o que acontece em toda a Missa.

Paixão sempre lembra morte e Ressurreição de Cristo. E não depende de quem quer, mas da Misericórdia de Deus. A Missa é o nosso alimento. E por todo racionalismo, diplomacia onde se perde e tem medo de dizer a verdade para os outros, em nome de um ecumenismo, a Igreja não quer ofender a ninguém, mas quer a Verdade.

“Você deve querer o amigo Jesus todos os dias, ter a necessidade da Missa, do amor Dele”.

A Eucaristia nos faz homens “violentos” para Deus. A nossa missão é dar Deus a todos, fazer você “violento” para ter o Corpo e Sangue de Jesus.

É a razão de vida, e não um culto. É o ápice, é a vida da Igreja, é a razão de tua vida, é por causa Dele que você está aqui. Deus de amor, Corpo e Sangue. Esse Deus escondido a quem nós depositamos todo nosso amor é essa violência que esperamos. Essa violência profunda. Ficar sem comungar um dia deve te trazer muita dor. Você deve querer o amigo Jesus todos os dias, ter a necessidade da Missa, do amor de Deus.

Muitas pessoas falam que o rito é o mesmo, que é tudo igual. Isso é satânico. Mentira. A cada dia é um sacrifício novo. Não é a mesma coisa de todos os dias, consulte o seu coração, se não é o teu interior. Na Missa minha vida é consumada com Jesus na Eucaristia. Ele se entrega todinho a você, é seu amigo mesmo, sem limitações. Não se preocupe com seus problemas. Deus é amor e vai ao seu encontro por amor. Ele quer entrar no mais profundo de sua vida.

Eu desejo com toda a minha alma que você seja violento com os mistérios do Reino de Deus.

“Não és tu que me hás de mudar em ti, como os alimentos de tua carne, mas és tu que serás mudado em Mim” (Santo Agostinho).

O que Deus quer de você é uma fusão de amor. Coração a coração, pessoa a pessoa. É o amigo que pode entrar nas suas entranhas. E que todos falem: Ele é meu amigo.

“Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal” (Gn 3,5).

Neste pequeno trecho da Bíblia encontra-se o início do pecado de toda humanidade. Alguns teólogos e historiadores podem dizer “é no sentido figurado”, mas sentido figurado ou não a Inspiração Divina foi quem promoveu que isto fosse escrito e que incorporasse os Textos Bíblicos.

Avaliando este acontecimento, podemos dizer que o início do pecado foi provocado pela arrogância do Homem, pela vontade de se igualar a Deus. Percebam o que a serpente diz: “sereis como deuses...”. É por este motivo que devemos tomar muito cuidado em todas as nossas posturas, especialmente dentro da Igreja, dentro da Celebração da Santa Missa.

Estamos perdendo diversos costumes, que são mais que costumes, são verdadeiros ensinamentos e testemunhos de Humildade, Respeito e Obediência a Deus. Um destes “Costumes” é o de se curvar, de ajoelhar diante da Eucarística, ou melhor, do Corpo e Sangue de Cristo.

Percebam o perigo de cometermos o pecado da arrogância, da auto-suficiência, de pensar que não necessitamos de nos curvar perante o Corpo e Sangue de Cristo. É o mesmo pecado, o pecado original, aquele que foi cometido pelos primeiros homens, o pecado de querer ser como Deus, de não aceitar mostrar submissão, respeito e sobre tudo amor pelo Sacrifício da Missa.

É fato bíblico que a Eucaristia, é o Corpo e Sangue de Cristo. Deixa de ser pão e passa a ser Corpo de Cristo. Deixa de ser vinho e passa a ser Sangue de Cristo.

Afinal “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. (Mt. 26, 26-27)

Isto nos leva a Liturgia da Missa, onde o Sacerdote que preside, no momento que eleva o Corpo de Cristo diz “Isto é meu Corpo” e quando eleva o Sangue diz “Isto é meu Sangue”, ou seja é o próprio Cristo que diz naquele momento. Sabendo disso devemos nos perguntar: Como não nos curvar a presença de Deus, na presença de Cristo?

Nós não estivemos presentes nos momentos mais importantes da história do cristianismo, não vimos os martírios nem as crucificações, não presenciamos nenhum destes momentos, mas podemos estar presentes, e de fato estamos, durante a Santa Ceia. Pois o Sacerdote é a Pessoa de Cristo, e isto nos leva a participar deste que é o momento mais amoroso de Cristo pela Humanidade: o momento que Ele se dá como alimento à humanidade.

É o “Pão da Vida” (Jo 6,48) que nós podemos comer... está ali o “cordeiro de Deus” (Jo. 1,29). Quem somos nós para não adorarmos esta presença Santa de Jesus.

Claro que sabemos que a adoração vem do Coração, contudo se não exprimimos este desejo interno acabando por sufocando-o por completo, ficamos suscetíveis a todos os tipos de pecado e claro, especialmente, o da arrogância.

Citando o Santo Padre Papa Bento XVI: “A adoração é um dos atos fundamentais que dizem respeito ao homem inteiro, conseqüentemente, dobrar os joelhos diante da presença de Deus Vivo é irrenunciável”. Ou seja, não existe melhor forma de adoração do que se curvar, dobrar os joelhos.

Muitos daqueles que querem proibir os fiéis, movidos pelo orgulho que o inimigo de Deus coloca em seus corações, utilizam-se de documentos que são mal interpretados ou realmente distorcidos. Abusam deliberadamente da liberdade concedida pela Igreja em determinados pontos.

Esta atitude destes homens de pouca fé, que trabalham em promover a fé, que trabalham por ensinar a fé aos fiéis, dizer que não devemos ajoelhar neste momento ápice, a Consagração, é uma real ação do maligno querendo esvaziar toda beleza da Missão de Cristo.

O Inimigo de Deus que quer fazer com que todas as pessoas não se curvem perante Cristo, da mesma forma que Ele não se curvou na tentação do deserto quando disse ao Bom Mestre: “Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Mt. 4, 9-10). É este mesmo sentimento de recusa e ódio que o inimigo quer passar a Cristo quando suscita na Igreja Santa pessoas que tentam desvalorizar o ato de Adorar a Cristo durante a Santa Missa.

Devemos lembrar que o Catecismo da Igreja Católica diz que é necessário dobrar os joelhos ou ao menos fazer uma reverência em respeito ao Corpo e Sangue de Cristo durante a Liturgia da Missa.

É possível dizer aqui também que o Papa Paulo VI, na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium - Sobre a Sagrada Liturgia que “Não é desejo da Igreja impor, nem mesmo na Liturgia, a não ser quando está em causa a fé e o bem de toda a comunidade, uma forma única e rígida, mas respeitar e procurar desenvolver as qualidades e dotes de espírito das várias raças e povos. A Igreja considera com benevolência tudo o que nos seus costumes não está indissoluvelmente ligado a superstições e erros, e, quando é possível, mantém-no inalterável, por vezes chega a aceitá-lo na Liturgia, se harmoniza com o verdadeiro e autêntico espírito litúrgico.” Ou seja, quando é que dobrar os joelhos diante do Corpo e Sangue de Cristo, no momento da Consagração, onde o sacerdote repete as palavras de Cristo na Santa Ceia, pode ser considerado uma superstição ou erro?

Vamos todos nos manter adorando ao Corpo e Sangue de Cristo. Vamos adorá-los durante a celebração, a Santa Missa, quando entrarmos na Igreja curvando nossos joelhos. Não sejamos arrogantes e prepotentes tentando se igualar a Deus, tentando ser como Deus. Fiquemos de joelhos frente ao Corpo e Sangue, humildes como foi Ele, dando-Lhe o real valor que tem.

Que o Deus Trino possa nos inspirar a termos a coragem de ser humildes frente ao Corpo e Sangue de Cristo.

Toda Missa é a glorificação do Pai pelo Filho. É o maior ato de adoração dado a Deus. Agora é chegada a “hora” nos disse Jesus para seus discípulos em que o Filho do Homem vai ser glorificado.

Dentro da “hora” de Jesus, temos a terceira hora e foi exatamente nessa terceira hora que Ele deu à Igreja Sua mãe. Ele disse: “Mulher eis aí o seu filho”. Na pessoa do discípulo amado está presente o mistério dos seguidores de Jesus. Olhando para nossa história, sabemos muito bem como o Senhor nos assemelha ao mistério da Missa.

Você pode fazer pela sua história de vida uma Missa. Se você sabe viver a humilhação e ser condenado injustamente em silêncio, então você assemelha sua vida a vida do Senhor. Não se trata de masoquismo, pelo contrário, sabemos que nosso coração precisa chegar onde Ele necessita.

O Senhor vai moldando nosso coração e nossa vontade.

Sabemos que nossa vida é única, e no tempo, decisão, e momento em que Deus entrega algo para vivermos, não podemos duvidar da vontade do Senhor. Se a “hora” de Jesus é a “hora” da cruz, o mundo não entende isso. Dentro do tempo cronológico estamos celebrando a eternidade da Missa. Preciso entrar nessa “hora”, pois sei o quanto Deus tem me preparado para esse sacrifício.

Não é a minha fé que realiza o sacramento, quem realiza o sacramento é Deus, mas se me entrego a Ele pela fé, então entro no sacrifício de Cristo.

O Papa disse que é preciso que o sacerdote celebre a missa com sentimento e emoção. São Pio trazia os sentimentos de Jesus ao celebrar a Missa. As pessoas percebiam nele os sentimentos de Jesus ao celebrar a Missa. O sacerdote é aquele que sacrifica o Cordeiro, ele é a Persona Christi. Nenhum padre está no lugar de Jesus Cristo, nós somos a pessoa de Jesus Cristo.

Mas como pode um homem marcado pelo pecado ser a pessoa de Jesus? Eis o mistério que traz a Igreja, a esperança da santidade. A missa chama e atrai os pecadores a misericórdia. A Igreja deseja que todos venham a Missa para ver Deus.

A Missa é o sacrifício eterno, como muitas vezes escutamos. A Igreja celebra e atualiza o sacrifício do Senhor.

O primeiro intuito da mídia patrocinada pela maçonaria é destruir o sacerdócio do Senhor presente em nós.

Quem consagra as espécies do pão e vinho em corpo e sangue do Senhor somos nós sacerdotes. Não é uma imitação, nem teatro, mas é Jesus Cristo na pessoa dos sacerdotes quem consagra. João recebeu a ordenação ao lado da Mãe de Deus.

Só há um sacerdote, não há outro, o sacerdócio de Jesus é único e eterno, mas ele está presente de maneira substancial na pessoa do sacerdote ordenado. O sacerdote tem as mãos ungidas para trazer o Espírito Santo. O Espírito Santo não vem do céu, mas da cruz. A imposição das mãos do sacerdote não é como a dos leigos. Na consagração você escuta verdadeiramente a voz de Jesus Cristo. Nessa hora não é a voz do sacerdote, mas de Jesus Cristo e nessa hora você deve adorar. Jesus vem de dentro do sacerdote e não do alto. Por isso o demônio vem para aniquilar os sacerdotes.

As mãos ungidas e as palavras consagratórias fazem do pão como que o ventre virgem de Maria e recebem Jesus.

A Mãe de Deus estava presente na Missa do calvário, assim como estamos em toda Missa que celebramos.

O altar não é mesa, mas é onde o Senhor será sacrificado. No altar se consagra. Se um sacerdote pode consagrar o corpo e sangue do Senhor, quanto não vale a vida de um sacerdote? É por isso que o Senhor pede a Sua Mãe para guardar os sacerdotes. São Francisco de Assis já dizia: “aí daqueles que falarem mal dos sacerdotes”.

Cada Eucaristia  não é mais uma Missa, é a única Missa.

A Missa da quinta-feira Santa é a mesma do calvário e é mesma que celebramos agora. É o mesmo sacrifício, é a mesma voz do Senhor Jesus Cristo. Hoje, pela voz do sacerdote, vamos escutar a voz de Jesus Cristo. É a única consagração, a única Missa.

A pior desgraça é quando o católico “rotina” a Missa. A cada dia o Senhor nos dá o seu coração de uma maneira diferente. A Missa é a maior alegria e esperança da Igreja. O católico que não vai a Missa não conhece Jesus Cristo. Cada um de nós deve gritar: Senhor perdoe o meu orgulho, eu preciso de Deus

Vamos Rezar:

1- Comece sua oração neste dia de Retiro tomando a sagrada Palavra de Isaías 53 reze o texto, leia com amor e pausadamente.

2- Com estas santas Palavras reze: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia”

3- É preciso se humilhar diante do Senhor. Comer a Carne do Filho de Deus é estar pronto para morrer por Ele. Você se dispõe inteiramente a estar com Jesus? Assumir o Calvário?

4- Reze com estas Palavras: As minhas mãos de sacerdote, ungidas, vão ferir o pão, entrar na substância dele e fazer tornar aquele pão na Carne vivificante de Nosso Senhor Jesus Cristo. E – repito – ai daquele que blasfemar contra tão grande mistério. (Pe.Pio)

5- Com as Palavras de Pe. Roberto reze: Milagres que ultrapassam as leis naturais, que mudam a alma, o coração, a vida de uma pessoa, que te dá certeza do céu e cura de todo medo acontecem na Santa Missa. A Missa é este grande encontro pessoal entre o teu coração e o Coração do Senhor.

6- Uma pessoa com sã consciência cristã, quando coloca os olhos no capítulo 6 do Evangelho de São João não tem como não ver esta verdade. Não é símbolo coisíssima nenhuma. Vocês vão comer carne humana, carne do Filho de Deus. Reze com este capítulo.

7- Da mesma maneira que foi preciso que o Senhor Jesus Cristo fosse levantado no madeiro da cruz e derramasse o seu sangue para a salvação do mundo, é preciso que a Igreja se alimente da sua Carne e do seu Sangue para ter a vida eterna. Avalie sua vivência e participação no Mistério do Santo Sacrifício Eucarístico.

8- Reze com estas palavras: “Em contrapartida, nutriste o teu povo com um alimento de anjos: de graça lhes enviaste, do céu, um pão já preparado, contendo em si todo sabor e satisfazendo a todos os gostos” (Sb 16; 20).


       
       
       

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