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Carisma de Fundação


sergioluiz | 14 junho, 2012

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As Ordens, Congregações ou Movimentos Eclesiais e espirituais surgem na Igreja por causa da busca constante do “homem religioso” pelo Absoluto: Deus. Ele mesmo sacia esta “sede”, pois Ele é “água Viva”, é “Fonte”.
Ao mesmo tempo são como que “resposta de Deus” às necessidades espirituais da Igreja e do mundo.

Em que consistem as diversas espiritualidades ou carismas dessas Ordens e/ou Congregações e hoje Comunidades Novas?
Consiste no Amor, inspirado nas almas pelo próprio Deus, que é Amor.

Deus é o Amado, Aquele que é procurado com ânsias pelas almas amantes… Quando estamos “apaixonados por alguém”, não é verdade que buscamos belos e agradáveis (às vezes, divertidos) lugares para nos encontrarmos com “o namorado” e “a namorada”? Bem sabemos que, na verdade, o que mais importa é a pessoa amada por si só; mas, gostamos de ter um ambiente especial para esses encontros… Assim, as diversas Ordens, Congregações e Movimentos Eclesiais ou Novas Comunidades são como que “jardins” ou “praças” diferentes para esses encontros entre a alma e seu Amado: Deus.

Nesses “jardins plantados pelo Espírito Santo”, tanto Deus como as almas encontram belas e diversas “flores” e “ perfumes” (os carismas e espiritualidades próprias de cada Ordem ou Congregação ou Novas Comunidades e Movimentos Eclesiais) para dar um ao outro. Cada alma, porém, se agrada mais de um tipo ou outro de “jardim”e “ perfumes” para lá ter seus encontros com seu Deus. Isto se chama vocação= do latim Vocare = Chamar- Convocar.

1. Olhando o Carisma e a Espiritualidade

Carisma não é a mera realização de um determinado tipo de obras, não é a pura repetição das palavras, idéias e atos de um Fundador ou Fundadora de uma Congregação ou Associação ou Movimento Eclesial ou Novas Comunidades, não é também a simples manutenção de costumes e práticas específicas de um grupo.

O Carisma é um dom que Deus, que pelo Espírito, concede a alguém para seguir a Cristo, respondendo a uma necessidade específica na construção da Igreja, Corpo Místico de Cristo.

O Carisma é uma resposta do Espírito a uma necessidade específica do povo de Deus em processo de salvação.
O Carisma tem algo eminentemente pessoal e comunitário; ele nasce no interior da pessoa, suscitado pelo Espírito no diálogo da pessoa com Deus, com os outros e com o mundo; este dom se destina aos outros, ao mundo, à Igreja, enquanto tende à edificação da Igreja e a ser partilhado como caminho de santidade no serviço.

O Carisma é, pois, uma maneira peculiar de seguimento a Cristo e se irradia e se perpetua na medida em que participa da luz e da força do Evangelho e responde a uma necessidade humana.

O carisma desencadeia uma espiritualidade específica: um modo próprio de seguir Jesus (atitudes) e práticas espirituais coerentes com o carisma (exercícios de piedade).

• A Experiência de um Fundador geralmente é a expressão de fatos marcantes, dos acontecimentos que marcaram profundamente a vida de um fundador e foram iluminadores para descobrir seu jeito próprio de seguir Jesus e viver o Evangelho.
• Os acontecimentos são fundamentais para o fundador(a)ou grupo fundante para compreender o carisma, isto é, esta graça de geração de um novo estilo ou faceta do Evangelho e do próprio Cristo ao mundo e seu Evangelho.
• é preciso no Espírito que suscita o Dom, ler os sinais dos tempos e os sinais de Deus para que possam na interpelação que o próprio Deus faz para o tempo presente, ser este Dom, uma graça a serviço do Reino de Deus e a Salvação querida de Deus para os homens.
• Pregar o Evangelho é um ofício importante, é continuar a fazer na terra o que fez Jesus Cristo.
• A pregação deve vir acompanhada da caridade organizada para com os necessitados; quer a necessidade Espiritual, Material neste exato momento da história humana.
• é urgente levar o pão da palavra e o pão material aos pobres, pois foi isso que fez Jesus, que está presente na pessoa dos pobres.
• O amor missionário conjuga o amor a Deus e ao próximo, transforma o amor afetivo a Deus em efetivo no serviço aos pobres e mais necessitados quer da vida espiritual quer na vida material- física.
• Dizia São Vicente: O amor afetivo deve se tornar efetivo. “Há pessoas que por terem um exterior bem composto e interior cheio de grandes sentimentos de Deus, detêm-se nisto e quando vem a hora de agir, esquecem-se de tudo. Eles se vangloriam de sua imaginação exaltada, contentam-se com os suaves colóquios que têm com Deus na oração, falam mesmo disso como anjos, mas ao sair daí, quando é hora de trabalhar para Deus, de sofrer, de se mortificar, de instruir os pobres, de ir procurar a ovelha desgarrada, de gastar, que lhes falte qualquer coisa, de aceitar as doenças, ou qualquer outra desgraça, aí, falta-lhes coragem. Não nos enganemos: “ totum opus nostrum in operatione consistit” (toda a nossa missão consiste em agir)”.

2. O Núcleo do Carisma e Espiritualidade

Por exemplo: São Francisco de Assis nosso Baluarte “Com Cristo nos Pobres”. Rico que não queria ser pobre, São Francisco levou um bom tempo de sua vida buscando uma boa posição social. Preocupado mais só com interesses sociais e financeiros, as noites de orgias e bares, conheceu fracassos e decepções. Mas, na medida em que se colocou em contato com os pobres, sua vida se transformou.

Os pobres foram o caminho que o levou ao encontro consigo e com Deus. Descobriu a verdadeira felicidade de seguir a Cristo que se faz presente nos rostos sofridos dos pobres. Percebeu que “não podemos garantir melhor a nossa felicidade do que vivendo e morrendo no serviço aos pobres, colocando-nos nos braços da Divina Providência e numa total renúncia de nós mesmos, para seguir a Jesus Cristo”. Assim São Francisco encontrou a alegria e a razão de viver em Cristo, o Verbo Encarnado, expressão máxima do amor misericordioso de Deus Pai, que enviou seu Filho para evangelizar os pobres.

Descobriu que servir o pobre é servir o próprio Cristo, é continuar fazendo o que próprio Cristo fez. Ao contrário dos movimentos espirituais dominantes em sua época, que destacava o Cristo Verbo Encarnado do Pai, como uma visão do Messias Triunfa lista, ele experimenta Cristo como Deus presente no mundo para compartilhar a sorte dos humildes e anunciar-lhes o Reino.

Sem cair em teorias abstratas e frias, sem se deixar levar pelo intimismo ou pela fuga da realidade, Francisco de Assis aprofundou sua fé de forma encarnada e compromissada. Viu o serviço ao pobre como a missão do Cristo Verbo Encarnado, viu no apelo do pobre o apelo de Cristo, viu no rosto do pobre o rosto de Cristo, viu a conversão da Igreja no serviço ao pobre. à luz do mistério da encarnação, colocou a caridade no centro de sua vida de seguimento a Cristo e assim dizia: “A caridade está acima de todas as regras e é preciso, pois, que todas as coisas a ela se relacionem. é uma grande dama, é preciso fazer o que ela ordena.

Empreguemo-nos, pois, com um novo amor a servir os pobres e também procurar os mais pobres e abandonados; reconheçamos diante de Deus, eles são nossos senhores e nossos patrões.

Este é o núcleo de um carisma. Daí deriva uma espiritualidade missionária, um programa de ação apostólica, uma nova metodologia de trabalho, especificamente franciscana… carmelitana… Dominicana e assim por diante…

Este é o Dom que o Espírito, através de um homem, fundador ou Fundadores, concedeu à Igreja. Esta é a fonte de inspiração onde devemos beber, para assumir os desafios atuais e desenvolver nossa ação missionária de serviço ao Evangelho e ao Reino de Deus.
A força e a riqueza de um carisma apresentam características bem definidas para vida e o trabalho de uma nova família de Consagrados ao serviço do Reino de Deus. Entre tantas, lembremos algumas mais relevantes para nós hoje: Os Carmelitas, Dominicanos, Redentoristas. Vicentinos… etc…

O carisma de cada um é um sinal eloqüente de participação na multiforme riqueza de Cristo, cuja «largura, comprimento, altura e profundidade» (cf. Ef 3, 18) sempre ultrapassa em muito tudo quanto nós possamos sorver da sua plenitude.

E a Igreja, que é o rosto visível de Cristo no tempo, acolhe e nutre no seu próprio seio: Congregações e Institutos de Vida consagrada, Novas Comunidades, Movimentos Eclesiais, com estilos tão diferentes, porque todos contribuem para revelar a variedade da presença e o polivalente dinamismo do Verbo de Deus encarnado e da Comunidade dos que Nele crêem.

Num tempo em que se palpa o risco de construir o homem com uma só dimensão, que inevitavelmente acaba por ser a historicista e imanentista, os consagrados são chamados a manter de pé o valor e o sentido da oração adoradora, não separada mas unida ao compromisso vivo de um generoso serviço prestado aos homens, que precisamente daí recebe impulso e eficácia: oração e trabalho, ação e contemplação são binômios que em Cristo nunca se deterioram em contraposições anti-éticas, antes maturam em mútua complementaridade e fecunda integração.

Na diversidade de dons e carismas onde buscamos a união, e a construção do Reino e a expansão do Evangelho, vamos como que nos divinizando. Mas onde buscamos a razão de nós mesmo, fechados no nosso e causamos divisões, tornamo-nos diabólicos.

A sociedade atual precisa de ver nos homens nas mulheres consagrados quanta harmonia existe entre o humano e o divino, entre as coisas visíveis e as invisíveis (cf. 2 Cor 4, 18) e o quanto as segundas superam as primeiras, sem nunca as banalizar nem humilhar, mas vivificando-as e elevando-as ao nível do plano eterno de salvação. Tal é o testemunho que eles devem dar hoje ao mundo: mostrar quanta bondade e amor estão contidos no mistério de Cristo (cfr. Tt 3, 4) e simultaneamente quanto de transcendente e de sobrenatural se requer no empenho entre os homens.

é preciso olhar e fazer constar o mérito de tantas Congregações religiosas, por terem enviado a fina flor das suas vocações para formar e educar esse povo com tanto amor e dedicação. Podemos acaso esquecer-nos dos franciscanos, dos dominicanos, dos agostinianos, dos beneditinos, dos jesuítas, dos salesianos, dos lazaristas, dos combonianos etc, etc .

O que hoje vemos por toda a geografia nacional, é fruto do trabalho escondido, silencioso e benemérito de muitos leigos e leigas e de tantos religiosos e religiosas que contribuíram e contribuem para a edificação dessa alma cristã do brasileiro. Reconheçá-mo-lo e demos graças a Deus, porque no silêncio e na entrega desinteressada a Cidade de Deus cresceu, e a árvore frondosa da Igreja deu os seus frutos de bem e de graça.

“Constituem, sem dúvida, uma grande riqueza das Igrejas que presidis as numerosas Comunidades religiosas, de vida tanto ativa quanto contemplativa. Cada uma delas é um dom para a diocese, que contribui para edificar, oferecendo a experiência do Espírito própria do seu carisma, e a atividade evangelizadora característica da sua missão. Precisamente por ser um dom inestimável para toda a Igreja, recomenda-se ao Bispo «apoiar e ajudar as pessoas consagradas, para que, em comunhão com a Igreja, se abram às perspectivas espirituais e pastorais que correspondam às exigências do nosso tempo, na fidelidade à inspiração originária» (Vita consecrata, 49).

“Nesta importante tarefa, o diálogo respeitoso e fraterno será o caminho privilegiado para unir esforços e assegurar a indispensável coerência pastoral em cada diocese, sob a guia do seu Pastor.” (J Paulo II – visita ad limina aos bispos do Brasil- Sul)
“As Comunidades assim religiosas, movimentos Eclesiais e novas fundações que se inserem na vida da própria Diocese merecem todo apoio e estímulo. é uma contribuição preciosa que oferecem pois, apesar da «diversidade de dons, o Espírito é o mesmo» (1Cor 12,4). Neste sentido o Concílio Vaticano II afirmava: «Procurem os religiosos com empenho que, por seu intermédio, a Igreja revele cada vez mais, Cristo orando sobre o monte, anunciando às multidões o Reino de Deus, curando os enfermos e feridos, convertendo os pecadores» (Lumen gentium,46).
A Igreja não pode senão manifestar alegria e apreço por tudo aquilo que os Religiosos , Consagrados, Novos Movimentos Eclesiais vêm realizando mediante Universidades, Escolas, Hospitais e outras obras e instituições. Este vasto serviço em favor do povo de Deus é fortalecido por todas as Comunidades que responderam de modo adequado à exortação do Concílio, mediante a fidelidade ao carisma fundacional e o empenho renovado no que se refere aos elementos
essenciais da vida religiosa (cfr. Decr. Perfectae Caritatis, 2). Peço a Deus que recompense abundantemente todas as Comunidades pela colaboração que prestam na pastoral diocesana, tanto na vida escondida e silenciosa de um mosteiro, como no empenho em atender e formar na fé todos os segmentos da sociedade.
Na sua grande diversidade, a vida consagrada constitui uma riqueza da Igreja.
A qualidade espiritual dos seus fundadores e membros, que beneficia os fiéis e é, inclusive, uma preciosa ajuda para os sacerdotes, torna cada vez mais presente na consciência do povo de Deus «a exigência de responder com a santidade de vida ao amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo, refletindo na conduta a consagração sacramental realizada por obra de Deus no Batismo, na Confirmação ou na Ordem» (Vita consecrata, 33).
Este é o núcleo de um carisma.
Daí deriva uma espiritualidade missionária, um programa de ação apostólica, uma nova metodologia de trabalho, especificamente segundo o ardor, a efusão do Espírito na vida deste ou daquele fundador.
Este é o Dom que o Espírito, através de homens, mulheres, grupos,concedeu à Igreja. Esta é a fonte de inspiração onde devemos beber, para assumir os desafios atuais e desenvolver nossa ação missionária de serviço aos pobres e ao Reino de Deus.

Assim a força e a riqueza dos “carismas” apresentam características bem definidas para nossa vida e trabalho. Entre tantas, lembremos algumas mais relevantes para nós:

a) Os pobres como lugar de revelação de Deus e de Jesus Cristo: – Todos sabemos o quanto os pobres foram uma força transformadora na vida de tantos homens de Deus. Na medida em que eles foram aos pobres, suas vidas se transformaram.
Os pobres são um caminho de conversão a Jesus e seu Evangelho. Ir aos pobres é uma exigência da participação que queremos ter na Encarnação do Verbo. Se não formos a eles, é como se Deus não pudesse ter compaixão dos pobres. A exemplo de Jesus, o missionário do Pai junto aos pobres, é preciso ir ao encontro dos pequenos e sofredores, sobretudo dos mais necessitados, para conhecê-los, para deixar-nos interpelar pela sua realidade concreta e para por-nos a serviço deles de modo efetivo.
Dizia São Vicente: “Se perguntarmos a Nosso Senhor: O que veio fazer na terra? “Assistir os pobres!” Mais alguma coisa? “Assistir os pobres”… Nada para ele era mais importante que trabalhar para os pobres..
A exemplo de Jesus, esse encontro com o pobre deve levar-nos a uma atitude de misericórdia, de solidariedade. Dizia São Vicente: “Quando vamos ver os pobres, devemos entrar nos seus sentimentos para sofrer com eles e adotar as disposições daquele grande apóstolo que disse: ‘Tornei-me tudo para todos’(1Cor 9,22), a fim de que não se aplique a nós a queixa feita por Nosso Senhor, pelo profeta: ‘Esperei que alguém se compadecesse com os meus sofrimentos e não encontrei ninguém (Sl 68, 21). Por isso, devemos procurar enternecer nossos corações e torná-los sensíveis aos sofrimentos e misérias dos próximo, e pedir a Deus que nos dê o verdadeiro espírito de misericórdia… Peçamos, pois, a Deus, meus irmãos, que Ele nos proporcione este espírito de compaixão e de misericórdia, nos encha dele e nos conserve nele, para que, ao ver um missionário, se possa dizer: ‘Eis um homem cheio de misericórdia”.
Nada substitui o contato com os pobres, o freqüentar sua escola, pois aí encontramos a verdadeira religião, aí podemos tornar efetivo nosso amor afetivo a Deus e ao próximo.

b) Espiritualidade missionária:
Nosso serviço não provém de sentimento puramente filantrópico, mas nasce e se alimenta da fé. Queremos seguir a Cristo Evangelizador dos pobres, por isso precisamos ter os mesmos sentimentos de Cristo. é preciso revestir-se de Cristo e imitar a Cristo! E o espírito de Cristo é um espírito de caridade e de estima ao Pai. Na linha de Lucas e Paulo, ele é o Divino Pobre, que se despoja e assume a pobreza para dar-se totalmente à salvação dos pobres, com simplicidade, zelo, mansidão e humildade. Assim, nossa tarefa consiste em doar-nos a Cristo, para que Ele, através de nós, continue essa mesma missão. Este espírito deve impregnar nossas obras, nossa vida, nossa oração e todas as nossas práticas espirituais. Consequentemente, somos desafiados a desenvolver uma intensa vida espiritual, de profunda unidade entre fé e vida, de profundo amor à Igreja, de compromisso efetivo com o pobre, de disponibilidade para a missão, de humilde despojamento e de simplicidade de vida.
“Vivemos em Jesus Cristo, pela morte de Jesus Cristo. Devemos morrer em Jesus Cristo, pela vida de Jesus Cristo. Nossa vida deve estar escondida em Jesus Cristo e cheia de Jesus Cristo”.
E não basta amar a Cristo só com bons sentimentos, é preciso revestir-se de seus sentimentos e atitudes e viver concretamente
seus ensinamentos. “Amemos a Deus, meus irmãos, com a força de nossos braços e com o suor de nosso rosto”.
O amor afetivo deve se tornar efetivo. Fé e vida, oração e ação andam juntas.
Esta profunda convicção tornou um fundador uma fundadora um grupo fundante pessoas de fé e oração autêntica, comprometida, realista e atenta aos problemas concretos, sobretudo dos pobres e no momento histórico em que se encontram. Leu o Evangelho à luz dos problemas de sua época, e leu os acontecimentos de seu tempo à luz do Evangelho. Seu amor a Deus, sua oração, não eram uma contemplação abstrata e espiritualista, desligada da vida, mas encarnada na realidade e no compromisso concreto.

c) Vivência da caridade organizada, criativa e integral: O carisma é essencialmente Profético – Profecia, missionário, brota da ação e conduz à ação.
Os Fundadores e ou grupos fundantes experimentam o Verbo Encarnado não a partir da contemplação, mas da ação dentro da realidade concreta, como resposta aos apelos de Deus encarnado na história humana.
Assim, com muito realismo, são convidados a amar a Deus com a força de nossos braços e com o suor de nosso rosto. O anúncio do Evangelho deve levar à ação concreta – fé e vida, oração e ação, palavra e atos concretos, caminham sempre juntos!
A verdadeira caridade não se contenta com palavras e boas intenções. Tem que ser eficaz, bem organizada e sempre atenta às necessidades reais. Mais ainda, deve abranger a pessoa toda, a caridade deve ser material e espiritual; hoje podemos dizer: deve ser assistencial, promocional e profética. Na dimensão assistencial, “dar o pão aos famintos”, atender às necessidades imediatas e mais urgentes; na dimensão promocional, promover o pobre, ajudando-o a buscar caminhos para que descubra sua dignidade, se valorize e se capacite para incluir-se na sociedade de forma ativa e positiva; na dimensão profética, denunciar as situações de injustiça e exclusão, anunciar a fraternidade e a solidariedade queridas por Deus e promover ações transformadoras que atuem sobre as causas da exclusão e promovam uma vida justa e solidária.

d) Virtudes e práticas espirituais – Só um coração inflamado do amor de Deus é capaz de contagiar os outros.
Como meios práticos e espirituais, os Carismas Fundantes apresentam como que virtudes especiais, missionárias, tiradas do próprio testemunho de Jesus. São virtudes ativas, que nos abrem para Deus e para o próximo.
São revelação e realização da caridade, do amor salvador de Deus em Cristo, a única segurança de ter Deus como sentido e força exclusiva.

São as principais armas de um Carisma:

• Um caminho de santidade, ao afastar-nos das coisas da terra e nos encher o amor de Deus.
• “Consiste em fazer todas as coisas por amor a Deus e Ter por fim único, em todas as coisas, a sua glória”. é evitar qualquer rodeio, hipocrisia, aparência, ostentação e artifício que visa desviar-nos de Deus e do amor ao próximo. No modo de ser, no modo de falar e pregar, a simplicidade nos aproxima dos pobres e nos coloca dentro do verdadeiro espírito evangélico.
Hoje, a simplicidade é sobretudo a autenticidade no ser e agir, buscando a verdade, evitando máscaras, artifícios e ostentações que nos afastam do serviço gratuito aos pobres.
• é a aniquilação pessoal a fim de que apenas Deus reine no coração humano, é renúncia à honra, à glória, é evitar toda vaidade. é esvaziar-se de si mesmo, eliminando o orgulho e a falsidade.
Hoje, entendemos a humildade não como ingenuidade, deixar-se passivamente ser maltratado, mas abertura de coração a Deus, reconhecendo nele o Senhor de nossa vida e superando todo sentimento e atitude de auto-suficiência e prepotência.
Controlar todo sentimento de cólera, ter grande afabilidade, cordialidade e serenidade no tratamento com os outros, sobretudo com os pobres. Na missão, a mansidão é indispensável para enfrentar as dificuldades e tratar bem os pobres.
Hoje, podemos entender a mansidão a capacidade de manter a ternura na luta, canalizar todos os sentimentos de ira e cólera no serviço e amor ao outro. é ter o coração humano, capaz de ser solidário e amável com os outros, sobretudo os sofredores.
“A simplicidade concerne a Deus. A Segunda é a humildade que se refere à nossa submissão… A terceira é a doçura para suportar nosso próximo em seus defeitos. Mas o meio de se possuir essas virtudes é a mortificação, que corta tudo quanto pode impedir-nos de adquiri-las”. é a capacidade de tomar a cruz e seguir a Cristo, é o senso de sacrifício, de privação e de renúncia por causa do Reino de Deus e do Evangelho. é a capacidade de ser generoso a ponto de aceitar o sofrimento e perseguição por Cristo.
Hoje, a mortificação é a capacidade de concentrar-se para optar em radicalidade por Cristo e seu Reino de Justiça. é a capacidade de determinação, resistência e de disciplina para bem seguir e servir a Cristo e à sua obra de evangelização.
• Zelo ( Como Saulo de Tarso nós diz em Fil 3,6 : “Um puro desejo de tornar-se agradável a Deus e útil ao próximo. Zelo para estender o império de Deus, zelo para trabalhar na salvação do próximo… Se o amor de Deus é um fogo, o zelo é a sua chama. Se Deus é sol, o zelo é o raio. Zelo é capacidade de dedicação total à causa do Evangelho de Jesus Cristo”.
Hoje, entendemos o zelo como a capacidade de “ter garra” para anunciar o evangelho e servir os pobres. é a dedicação generosa, atuante, criativa e responsável para ir ao encontro das necessidades do próximo, ultrapassando fronteiras e
levar o Evangelho. é a alegria irradiante e corajosa de servir e trabalhar firmemente pela causa do Reino.
Tudo fazer para não macular o Carisma , para não ferir o Carisma. Pois este é Sagrado .
Junto a essas virtudes, somos estimulados a práticas de exercícios de piedade.
Nada de especial, propõe as práticas comuns da Igreja: oração intensa, meditação da Palavra de Deus, vivência sacramental (ênfase no compromisso batismal, no amor à Eucaristia), devoção à Maria, retiro espiritual anual… Em tudo isso, uma grande novidade: a prática destes meios espirituais devem estar vinculados, comprometidos e articulados com a Espiritualidade do Carisma e com o seu cunho profético no seguimento a Cristo evangelizador dos pobres.

3. Pensando a animação espiritual do Carisma:

Diante da realidade atual, cheia de desafios e de possibilidades, o cristão, corre três grandes riscos:
• Deixar-se sufocar pelas dificuldades, caindo no vazio espiritual, que leva a uma ação mecânica, materializada e meramente ativista;
• Deixar-se levar pela novidade, assumindo o que está na moda, desvirtuando o carisma e espiritualidade do Dom recebido , da missão que é confiada, caindo em uma duplicidade de vida (trabalha como…… esse Carisma , reza como ………outro carisma, por exemplo);
• Deixar-se levar por uma atitude de resistência, de fechamento no tradicional, no desenvolvimento de uma postura moralista ultrapassada e que não renova e dá vigor à vivência do evangelho.

A) Fazer da realidade, do encontro com a Comunidade e com a Missão a ela confiada um momento espiritual.
Aí nossa fonte, onde encontramos Cristo. Nada substitui o contato com a comunidade e a sua missão.
De modo crítico, somos convidados a resgatar o que há de mais autêntico na nossa espiritualidade: a “unidade entre ação e contemplação”, a “contemplação na ação”, ou ainda, a “mística da ação ou da caridade”.
A experiência de Francisco foi perceber Deus nos acontecimentos, nas pessoas e na história. Sua vida e seus ensinamentos Testemunham uma integração típica entre fé e vida, ação e contemplação. Enquanto, para Francisco de Sales, a oração é o exercício da caridade e ela termina na contemplação, para o Santo da Caridade “o principal da oração consiste em se decidir bem”, isto é, o encontro com Deus sempre se converte em compromisso, ou como ele gostava de dizer “resoluções” com a evangelização e o serviço do pobre.
Na espiritualidade de um Carisma Fundacional, os acontecimentos, a vida, a missão convertem-se em matéria de contemplação. Aliás, a própria atividade ordinária do serviço da evangelização ou da caridade torna-se contemplação: “dez vezes ao dia a irmã encontrará Deus nos enfermos” . ( Teresa de Calcutá)
Os dois momentos – contemplação e ação – complementam-se, integram-se. Aproximam-se tanto que dificilmente cabe uma oração desencarnada do mundo e dos pobres. Podemos dizer que a missão e a caridade brotam da contemplação do Cristo evangelizador e servidor dos pobres e, por sua vez, elas mesmas conduzem, motivam e transbordam na oração.

B) Para nós seguidores de um Carisma Fundacional , o estudo e vivência do carisma deste nosso Fundador norteará toda a nossa vida, nos iluminam, nos fortalecem e nos unem para agir. Contra qualquer tipo de tradicionalismo, de espírito da moda ou de desânimo e vazio espiritual, somos chamados a aprofundar e ler nosso carisma e nossa espiritualidade, à luz dos apelos que Deus nos apresenta no mundo de hoje. Seguramente, a compreensão atualizada e a fidelidade criativa ao carisma nos permitirão a abertura de um leque de possibilidades para uma ação dinâmica, conjunta e renovada de serviço aos necessitados e ao Evangelho de Jesus Cristo. é urgente investir todos os esforços na formação doutrinal, humana e espiritual dos confrades.
Uma formação sólida e coerente com o carisma é sempre importante e imprescindível . A Formação brotará sempre do Carisma.

C) Intensificar os momentos de espiritualidade, de modo criativo, belo e atraente. Criatividade, beleza, mas no compromisso com a realidade do Carisma e da Comunidade.
Rezar e viver a partir da realidade. A sua oração brota da vida, do Carisma. Nas suas conferências e correspondências, freqüentemente, um texto da Sagrada Escritura, um acontecimento infeliz de última hora, “como o naufrágio de seus missionários”, a beleza de uma virtude, o sucesso do irmão que levou auxílio às regiões devastadas pela guerra, suscitam-lhe uma oração inesperada e inspirada pelo Espírito de amor que se aninha no seu coração, às vezes, até às lágrimas. Percebemos, assim, que a sua oração está integrada à vida e à vida apostólica e missionária. Uma oração profunda e intensa que se torna uma verdadeira oração contemplativa e que motiva e mobiliza ainda mais a ação caritativa e missionária.
Aliás: “a mística cristã não termina no êxtase. Termina na caridade”.

D) Buscar ajuda constante, alicerce para manter a vida espiritual e do Carisma.
Saber buscar no seu tempo o que de melhor existe para afervorar o Carisma e a Espiritualidade em sua vida como Chamado, eleito e consagrado a tal Carisma.
Profundamente eclesial, recorrer a autores espirituais e a práticas religiosas que podem ajudar no crescimento de seu seguimento na fidelidade ao Dom recebido.
Hoje, também nós precisamos estar abertos ao que acontece na Igreja e buscar ajuda do que de melhor existe para o serviço da “manutenção” do Carisma.
Precisamos aprender a rezar e agir com outros grupos e pessoas comprometidos com o Evangelho e o Reino de Deus sem perder o que nos é próprio (Pastorais, Movimentos, Outros Carismas etc.).
De modo mais intenso, entrosar-se com outros Carisma e buscar ai ver a riqueza e a beleza da ação do Espírito que agem na diversidade fazendo a unidade, para o bem do Reino de Deus e a Salvação e expansão do Evangelho .
Como Família Alpha e ômega, precisamos nos ajudar a rezar e viver como Alpha e ômega. Nisto, já está sendo feito uma caminhada muito promissora…
Valorizar a figura e presença do Fundador. O papel do Fundador precisa ser compreendido e desenvolvido, no seio de toda a Comunidade, com a preocupação de renovar-se constantemente e adaptar-se às condições mutáveis do mundo e da Igreja.
Superando o modo tradicional e, buscar o modo participativo e fraterno – Este modelo, mais condizente com a visão de Igreja do Vaticano II, compreender o Fundador ou Fundadores como um irmão exercendo um serviço, um ministério de animação, junto a outros irmãos. O Fundador e os Co-fundadores é, na linguagem de hoje, o “articulado ou Assessor da nova forma de vida ” que Deus esta suscitando.
Assessorar é uma palavra que vem do latim “assidere” (ad sedere) que significa sentar-se em companhia de alguém, ao lado de alguém. O Assessor ou o Fundador(es)não dirige, não se faz de superior, é, sim, alguém que, respeitando e valorizando os outros, colabora no processo ativo e co-responsável de crescimento da Comunidade diante do Dom por ele recebido .
O Assessor na Vida da Comunidade deve ser alguém que, no respeito à autonomia dos irmãos que o Senhor lhe concedeu, colabora para suscitar uma participação ativa e um crescimento das pessoas na fé e na vivência espiritual do Carisma.
“São Francisco diz: “O Senhor me deu irmãos”.
Assim, não seria alguém apenas para cumprir certas formalidades, para fazer uma curta reflexão espiritual no início da reunião, mas alguém que colabora na reflexão, na formação e na animação, que ajuda no desenvolvimento de uma consciência “Carismática Fundacional”, na revisão criativa das práticas pessoais e coletivas da Comunidade, para que não se perca o caminho Fundacional… o porque desta Fundação, deste Carisma hoje, assim a Comunidade também deverá estar sempre atenta e voltar nas fontes, nas origens para não perder o caminho e a força Carismática do próprio Carisma, sempre em vista de uma maior fidelidade e coerência com os ensinamentos do Evangelho e da Igreja e com o espírito do seu fundador e co-fundadores.

4. Manutenção do Carisma:

Precisa, sobretudo se ter :
- Comprometimento com a causa da Missão Profética da Comunidade na sua vocação fundacional de tornar efetivo o Evangelho;
- Conhecimento da vida e ensinamentos do Carisma, do Fundador e grupo Fundante, a história e o percurso da Comunidade, da espiritualidade, das Constituições e das Regras, para bem colaborar na formação e animação em seu carisma e em sua identidade específica;
- Capacidade de ajudar os membros na leitura dos sinais dos tempos e dos clamores de Deus e da humanidade, para colaborar com a Comunidade no discernimento de caminhos que levem à renovação e dinamização de seu serviço junto ao Dom que receberam.
- Dentro do espírito de Família Religiosa, se poderia fazer uma tentativa de se conseguir uma maior colaboração das congregações e associações da espiritualidade da Comunidade– os baluartes(Congregação, Institutos, etc… mesmo a partilha com outras Comunidades)!

5. Concluindo:

O Carisma, o movimento do Espírito desencadeado em um fundador ou grupo fundante, não é apenas um movimento apostólico de serviço e caridade, nem uma pastoral, nem uma evangelização, nem mesmo um grupo de formação espiritual, humana e doutrinal mas um movimento espiritual que na caridade nos leva ao encontro com Deus e ao mesmo tempo a uma missão por ele mesmo confiada a um Fundador, fundadores para este tempo presente… onde o evangelho será vivido na radicalidade. Urge recuperarmos e promover esse desenvolvimento espiritual de modo coerente, belo e atraente para as pessoas de nossos tempos!

5.1 Carisma, Uma Vocação de Fidelidade.

Se o Pai nos deu esse Carisma como graça, fá-lo transformar-se em missão por ser um Carisma que existe, não para nós, mas para a Igreja, para o mundo, para o próximo. Nossa missão é fazer na terra o céu, de tal forma a edificar aqui na terra, em mistério, a casa do Pai que é o Reino dos céus. Dentro de nossa missão está a evangelização em sentido pleno, que envolve o primeiro anúncio e a formação, com uma catequese aprofundada, com vistas a tornar o cristão batizado consciente de sua vocação e de sua missão na Igreja e no mundo,em todas as realidades em que ele se insere, como trabalho, família, namoro, estudo, lazer… etc.
Para se entender o Carisma de uma Comunidade deve-se conhecer o significado muitas vezes do nome dessa Comunidade.
Para nós queremos proclamar Deus e Senhor, em seu Senhorio, em nossa vida: “Deus, somente Deus em tudo e sempre!”
Assim a Comunidade traz em seu bojo, ou já em seu cerne, através de seu nome o que ela quer e trás como missão através do seu carisma fundacional.
Ter Jesus como Alpha e ômega e traduzir em nossa vida em tudo Jesus, não como um meio , mas centro de nossa vida em Seu Principio e em seu Fim… “em tudo Deus”…
O nome de Jesus pertence essencialmente ao Carisma fundacional. Nós aceitamos “Jesus como cabeça, nosso Redentor e Senhor”, e assim devemos viver e levar seu nome, isto é , sua pessoa e Identidade, em configuração a Ele, “ir e pregar” debaixo de sua bandeira”.
Este nome é para nós de tal importância que, “somente Deus” poderá mudar”.
Jesus é um nome bíblico, e o nome, na bíblia, expressa identidade e missão da pessoa que o recebe. Identifica-se com o seu ser.
Toda a vida de um consagrado, um membro de nossa Comunidade está marcada por essa relação pessoal com Cristo. Sente-se diretamente atraído por ele. Ele é o modelo em sua maneira de proceder e de seus companheiros e irmãos de missão.
O nome de Jesus é de uma importância extraordinária. Ele o Consagrado em nossa comunidade deverá estar convencida de que sua Vida deve trazer o Nome de Jesus, isto significa a pessoa, a identidade, a configuração com Jesus: “A respeito do nome, compreendi duas vezes, em anos distintos…, que a denominação tem que ser a de Jesus”. Na identificação com Ele e sua missão.
Jesus é a primeira e última palavra de um Alpha e ômega, é o que dá sentido à sua vida e missão, repleta de lutas e sofrimentos.
A pessoa de Jesus e a sua causa são o objetivo de sua vida. Para nós, vale a pena lutar por Ele, que é o máximo dom do Pai.
Assim como Congregação é uma palavra que vem do latim “congregatio” e significa assembléia, povo congregado para anunciar o mesmo Deus. Não é uma simples reunião de pessoas, mas sempre tem em vista a missão. é uma palavra nova, que possui uma dinâmica interna e movimenta a pessoa para responder à sua vocação e missão.
Uma das principais características dessa Comunidade deverá ser a fidelidade absoluta à inspiração divina, em que Jesus em cada situação ou circunstância de nossas vidas “em Tudo” será a Primazia.
Durante quinze anos buscamos entender esta inspiração, Esse compromisso é assumido e se perpetua através dos tempos,e à vivência deste nome, o Carisma ai já traduzido como diz nossas Constituições “Resume nossa missão e nossa Ação”, no nosso próprio ser primeiramente que ele faz parte da graça fundacional de 1991.
O significado de cada nome é um meio de determinar a própria identidade. No nosso caso, é evidente que em nossa Comunidade devemos estar convencidos de que, somente adotando o nome “Jesus Alpha e ômega” para nossa comunidade é um mandato para que Ele seja o Senhor de Tudo e de todos.

5.2 As formas de vida dentro da Vocação

Vivemos esse mesmo Carisma em duas formas diferentes: a Comunidade de Vida Secular e a Comunidade de Vida Comum. Na Comunidade de Vida Secular ou Aliança estão aqueles membros que estão inseridos no século, ou seja, residem em suas casas, mantendo seus empregos, vivendo essas dimensões segundo o carisma.
Na Comunidade de Vida Comum ou Vida apenas estão inseridos aqueles que, desejando consagrar-se inteiramente a Deus no serviço à Igreja, deixam suas casas e seus empregos, vivendo com os irmãos e dedicando-se exclusivamente a Deus através da Obra Alpha e ômega.
Embora sejam maneiras diferentes de se viver, em ambas as formas vive-se a mesma Vocação, sem que uma prevaleça sobre a outra do ponto de vista da santidade e dignidade vocacional. Cada uma das formas tem seu papel especial dentro da vocação.

A Comunidade de Vida Secular:
A Vida Secular foi a primeira forma a surgir dentro da vocação. Nela, os filhos da vocação vivem o Carisma no século, isto é, inseridos no mundo, em atividades temporais comuns dos homens. Aí, se vive em sua residência particular, seja com os pais, no caso dos solteiros, seja em seu próprio lar, quanto aos casados. Vivem-se aí os mesmos votos da consagração: a obediência, a castidade e a pobreza, bem como a vida de oração pessoal e comunitária regular, a vida fraterna com os irmãos e a vida apostólica através dos serviços na Comunidade. Esses votos se ajustam à realidade própria de vida da Comunidade de Vida Secular. Toda semana, toda a Comunidade se reúne para oração, partilha e formação de forma que cresçamos juntos como filhos de Deus.

A Comunidade de Vida Comum:
A forma de Vida Comum surgiu posteriormente na vida da Comunidade. Nela, os filhos da vocação vivem o Carisma de forma comum, isto é, vivendo sob o mesmo teto e partilhando os bens em comum.
Vivem-se aí também os mesmos votos da consagração: a obediência, a castidade e a pobreza, bem como uma intensa vida de oração, fraterna e apostólica. No seu estado de vida próprio.
“Fiéis a herança do grupo fundante, pretendemos viver no meio do povo, procurando, contudo, sempre a constante união com Deus”
O Fundador e os co-fundadores experimentaram em profundidade o ideal Carmelitano e Franciscano, de viver segundo a forma do evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nós, igualmente, nos propusemos a seguir os ensinamentos de São João da Cruz, Teresa de Jesus, Teresinha do menino Jesus, Francisco de Assis. Por isso, vamos servir a todas as pessoas, “considerando-nos instrumentos nas mãos de Deus, para que, tornando-nos pequenos humildes grãozinhos de areia nas mãos de Deus que nos tomou em suas mãos, agindo Ele por nosso intermédio”.
Inúmeros são os desafios que acompanham nossa “busca” de estarmos sempre em “constante união com Deus”, pois vivemos num mundo extremamente agitado e exigente.
Madre Teresa de Jesus, que também fez a experiência dessa procura, nos adverte: “Leva tempo até aprendermos a arte de estarmos sempre unidas a Deus no meio do barulho e durante nossos trabalhos, contudo, a união interior e contínua com Deus é de suma necessidade para uma irmã de nossa família”.
Somos “Marta” e “Maria”. Marta que se afadiga do serviço diário; Maria que escuta tranqüila a Palavra do Senhor.
Pela nossa missão e nossa vida de oração, traçamos as duas faces do mesmo rosto evangélico.
Sem dúvida, a melhor parte consiste em “escutar” o Senhor, aprofundando cada vez mais nossa espiritualidade carmelitana e franciscana. E o exercício mais fiel de nossa espiritualidade é a oração.
“A constante união com Deus” mantém viva a força e a qualidade de nossa opção, de nosso compromisso e de nossa missão e vivencia do Carisma Fundacional.
O “estar com o Senhor” sustenta a missão, cria fraternidade, dá força e vigor na prática do Amor, dá coragem para anunciar a Palavra e de testemunhar a Ressurreição e o Senhorio de Jesus.
Pela “constante união com Deus” somos interiormente purificados, iluminados e sustentados em nossa missão como Alpha e ômega, onde Jesus vai se tornando o único em nós .
Como nosso Pai João da Cruz diz: “Amada no Amado, já transformada o quando é possível ainda nesta vida.”

Pe. Emílio Carlos Mancini
Fundador da Comunidade Alpha e ômega

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